Hepatite: Animando-C na web

28 de julho de 2010

A blogueira Ana Paula (Fonte: Reprodução do blog Animando-C.com.br)Ela é casada, mãe de uma pequena garotinha e criou o blog Animando-C, um espaço na internet dedicado à informação sobre  a hepatite. Natural de Porto Alegre, Ana Paula Barcelos, 31 anos, pedagoga, descobriu aos 28 anos que tinha hepatite C. Desde então, utiliza o espaço virtual para estimular a reflexão, compartilhar experiências e, principalmente, mostrar que é possível fazer uma releitura da doença e viver de uma maneira mais positiva.

Confira, abaixo, a entrevista realizada pela equipe de Jornalismo Web do Canal Minas Saúde com a blogueira Ana Paula:

Portal: Em seu blog, em uma rápida descrição, você menciona que passou da fase de susto para uma resignificação, um processo que está em construção, a cada dia. Em que suportes você se apoiou para mudar um pouco a sua visão de mundo e enfrentar a doença?

Ana Paula: São vários, entre eles informação, fé, família e opções de vida. Sempre pesquiso muito, o que me permite conhecer as possibilidades de evolução da doença e perspectiva de novos tratamentos. Mas é preciso ter muito cuidado para buscar fontes de informações confiáveis, porque há muito “lixo” na internet. Informações erradas podem vir até de fontes supostamente confiáveis, como aconteceu, no mês passado. Na ocasião, a Folha de S. Paulo causou a maior polêmica ao divulgar que a hepatite C estaria ligada à promiscuidade sexual, o que não é verdade. Isso gerou até mesmo uma carta da Sociedade Brasileira de Hepatologia à Folha, explicando que a hepatite C não é considerada uma DST. Duas ótimas fontes de consulta são os sites do Grupo Otimismo e também da ONG C tem que saber, C tem que curar.

Portal: A hepatite, em sua fase aguda, quase não apresenta sintomas, ou pelo menos não apresenta sintomas que levem o paciente a desconfiar dessa questão. Que dica você daria para que as pessoas pudessem se prevenir e se informar melhor sobre o problema?

Ana Paula: Algumas pessoas apresentam sintomas na fase aguda, outras não. Mas o maior problema é que a maioria dos infectados não possuem sintoma algum durante a fase crônica da doença, que pode durar décadas. Aí é que está o perigo: a gente não sente nada, mas o vírus está destruindo o nosso fígado – que é um órgão tão vital para o funcionamento de nosso corpo, quanto o coração. Se não há sintomas, a dica é: na próxima consulta médica, solicite os exames das hepatites B e C. Todos nós já passamos por situações em nossas vidas que podem nos deixar vulneráveis às hepatites, seja numa ida à manicure, ao dentista ou a uma endoscopia.

Portal: O desconhecimento ainda é um grande problema para o controle e tratamento das hepatites. A campanha internacional deseja melhorar isso. Você acha que será suficiente?Fonte: Reprodução do site Animando-c.com.br

Ana Paula: Suficiente será no dia em que a campanha ganhar a envergadura de uma campanha como a da Aids, ou do vírus H1N1. Sinceramente, não consigo entender porque não se investe seriamente em campanhas informativas e preventivas. Temos hoje milhões de brasileiros infectados com a forma crônica das hepatites B e C que desconhecem seu diagnóstico, simplesmente porque nunca ninguém lhes falou: “faça o exame das hepatites, é gratuito”. Precisamos de uma campanha intensiva para diagnosticar essas pessoas enquanto elas ainda têm possibilidades de cura e não deixá-las entregues à própria sorte.