De acordo com dados divulgados no segundo semestre deste ano, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo. A depressão irá afetar mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo câncer e doenças cardíacas.
Segundo a OMS, atualmente, mais de 450 milhões de pessoas são afetadas diretamente por transtornos mentais, a maioria delas nos países em desenvolvimento – elevando os custos nesses lugares, em decorrência do problema. Conforme o órgão, os países pobres são os que mais devem sofrer com a depressão, já que eles têm menos recursos para tratar os transtornos mentais.
Para o psicólogo Luiz Carlos Penna Chaves, referência técnica de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a depressão tem diversas causas, sendo algumas delas biológicas, como fatores estruturais, genéticos e hereditários, e outras provenientes de pressões ambientais. O profissional acredita que, talvez por esse último motivo, os estudos apontem as pessoas pobres como as que mais têm depressão.
“A depressão atinge a todos os níveis sociais. Mas vale destacar que, além dos fatores biológicos, os fatores socioculturais – a personalidade, a educação e as condições ambientais e culturais em que as pessoas vivem – também causam a depressão. E, onde tem pobreza e miséria, e a educação e a cultura são vistas como algo menor, não tem como a coisa caminhar certa”, explica o psicólogo.
Mas Luiz Carlos ressalta ser fundamental analisar as condições individuais para se estabelecer um diagnóstico preciso. “Várias pessoas são submetidas a situações e contextos semelhantes, mas reagem de maneiras diferentes. Cada pessoa lida com as diversidades de uma maneira. O diagnóstico de depressão também não pode ser confundido com tristeza, mau-humor ou momentos de lutos que são inerentes a determinados períodos do dia a dia de qualquer pessoa”.
Para a OMS, a depressão será a doença que mais gerará custos econômicos e sociais para os governos. “A doença, que gera baixa de rendimento e produtividade, causa impacto direto no sistema econômico como um todo”, afirma Luiz Carlos Chaves. Os números mostraram que o peso da depressão (em termos de perdas para as pessoas afetadas) vai provavelmente aumentar, de modo que, em 2030, ela será sozinha a maior causa de perdas (para a população) entre todos os problemas de saúde.
O estado de depressão, associado à existência de uma ou mais outras doenças agrava a debilidade do paciente se comparado à depressão ou à outra doença isolada e se comparado a qualquer outra combinação de doenças crônicas sem a presença da depressão. De acordo com Luiz Carlos Chaves, a depressão é caracterizada quando a pessoa se retrai e não busca mais saída. Falta vontade, determinação e desejo ao indivíduo. Em decorrência disso, a ajuda profissional da saúde se torna essencial.