Alzheimer é transmitido pelo sangue? Entenda a polêmica levantada por estudo

iG São Paulo

Baseada em testes feitos com camundongos, pesquisa canadense aponta que proteína relacionada à doença foi transmitida por transfusão de sangue

Autor do estudo alerta que as chances de transmissão de Alzheimer por doação de sangue são muito baixas

Autor do estudo alerta que as chances de transmissão de Alzheimer por doação de sangue são muito baixas

Foto: Alexandre Carvalho/A2 Fotografia

Um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade de British Columbia, no Canadá, e publicado pela revista “Molecular Psychiatry” apontou que as proteínas responsáveis por causar a doença de Alzheimer podem se espalhar pelo sangue.

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A pesquisa chamou ainda mais atenção quando foi constatado, a partir de testes em camundongos, que ratos saudáveis ​​que compartilhavam sangue com outros ratos que possuíam placas da proteína beta-amiloide no sangue – responsável pelo Alzheimer – adquiriam as mesmas placas.  

Essa revelação gerou polêmica entre os cientistas, pois poderia sugerir que pessoas com demência seriam capazes de transmitir as proteínas relacionadas à condição por meio de transfusão de sangue.

Porém, segundo o autor principal da análise, professor Weihong Song, as pessoas não devem se preocupar em “pegar” demência dessa maneira. “A proteína amiloide será passada entre pessoas através de transfusões de sangue independentemente de terem Alzheimer, porque a proteína pode ser produzida fora do cérebro”, explicou ele.

“No entanto, acredito que as chances de desenvolver placas da doença no cérebro através de transfusão de sangue são mínimas por causa do baixo nível de troca amiloide”, ressaltou.

Para comprovar a opinião de Song, outro estudo realizado no ano passado, onde cerca de 1,4 milhão de pessoas foram analisadas, afirmou que mesmo ao receberem doações de sangue de pessoas com demência e Parkinson, elas não se tornaram mais propensas a terem essas doenças.

De acordo com a professora Tara Spires-Jones, do Center for Discovery Brain Sciences da Universidade de Edimburgo este estudo foi cientificamente interessante para a comunidade médica.

“Isso é importante para a nossa compreensão das mudanças biológicas e como as proteínas tóxicas podem se espalhar através do corpo”, disse Jones.

O trabalho também mostrou que a doença poderia começar em outras partes do corpo – como o fígado ou os rins – antes de se deslocar para o cérebro.

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Infectados artificialmente

Outro ponto que reforça a teoria de que a doença não poderá ser transmitida através da troca de sangue é o fato de que os camundongos foram infectados pelos cientistas com a proteína na versão humana e não desenvolveram a condição naturalmente.

Isso levou os camundongos a desenvolver placas em seus cérebros e sintomas semelhantes aos observados em pacientes com Alzheimer humano. Esses ratos infectados com Alzheimer foram então submetidos cirurgicamente a camundongos saudáveis, fazendo com que eles compartilhem sangue, semelhante a uma transfusão de sangue.

Em quatro meses, os camundongos saudáveis ​​apresentavam placas meta-amilóides em seus cérebros e sintomas comportamentais da doença.

Origem

A equipe de Song também encontrou evidências de que a doença de Alzheimer pode começar em qualquer lugar do corpo antes de viajar para o cérebro. Os cientistas descobriram que as proteínas tóxicas que levam à doença neurodegenerativa podem se desenvolver no fígado ou até mesmo nos rins antes de invadir o cérebro.

A descoberta pode levar a drogas que visam a demência em órgãos que são muito mais fáceis de tratar, antes mesmo do início dos sintomas e sem agir diretamente no cérebro, onde o Alzheimer tem sido supostamente originado.

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