O Maior presente que Deus me deu: uma gestação tranquila e o Eduardo

Meu nome é Raiane Regina tenho 26 anos e sou casada há 02 anos, trabalho como assistente administrativa em uma Faculdade.

Descobri o diabetes tipo I quando retornava de uma viagem a trabalho e até então a única coisa que eu sabia era que diabético não podia comer doce. Tive os sintomas mais comuns como sede excessiva e cansaço, minha vizinha veio com o aparelho de glicose e quando eu vi 576 mg/dl achei que o aparelho estava incorreto,Completamente descrente do meu diagnostico, cheguei no hospital em jejum e minha glicose estava 300 mg/dl, a hemoglobina glicada deu 12% e um médico insensível confirmou o que eu mais temia e o pior de tudo … não tinha cura. 
Foi difícil encontrar uma médica que me orientasse, em dezembro/2015 conheci a Drª Daniele que me explicou como funcionava a contagem de carboidratos e me orientou que eu não poderia engravidar de forma nenhuma, inclusive fazendo um relatório para que eu colocasse o DIU.
Iniciei o tratamento com a insulina NPH e devido a crises de hipoglicemia mudei para a insulina Lantus de ação prolongada e da novorapid ambas usadas como caneta
Sinceramente tenho pânico só de pensar na bomba de insulina. Recebo a Lantus no posto de Saúde pois abri um processo administrativo burocrático na Secretaria de Saúde, mas agradeço a Deus ter conseguido porque o custo dessa insulina é alto. Fui diagnosticada recentemente com tireoidite crônica (doença de Hashimoto) que está relacionada com a diabetes, o sistema imunológico que atacou meu pâncreas também atacou minha tireoide. Mas minha função TSH ainda está normal.
Não tenho nenhuma sequela do mal controle glicêmico (meu diagnóstico é recente). Nunca fui internada e nem tive outra complicação por conta da doença. Tenho vários momentos de rebeldia e de revolta e estou em tratamento com o psicólogo para aceitação da doença. Eu tenho muita dificuldade com a alimentação porque eu gosto de alimentos com alto índice glicêmico, a dieta que a nutricionista indica é muita rígida e restrita, e eu tenho muita resistência em segui-la.
Como me casei recentemente planejava ter um filho daqui há no mínimo 05 anos mas descobri em janeiro/2016 que estava grávida no consultório da ginecologista que estava verificando a possibilidade da colocação de um DIU, nesse momento eu não estava controlando a minha glicose e e eu tinha acabado de perder meu emprego. Sinceramente eu não sabia quais os riscos que eu e meu bebe estávamos correndo. Fiz o acompanhamento da gestação pela rede particular e tive todo o acesso a exames, ultrassons, ecocardiograma, tudo que foi necessário. 



Meu pré-natal foi feito por uma obstetra especializada em gestações de alto risco o que contribuiu para que eu ficasse mais tranquila. Durante a gestação engordei apenas 06 quilos, não tive enjoo, azia nenhum mal-estar e fiquei muito disposta. No primeiro trimestre minha glicose ficou mais baixa pois segui uma dieta rigorosa diminui minha glicada para 6,6 mas na reta final e já que não estava ganhando peso acabei exagerando nos comes e bebes e minha glicose ficou alta. Acima de 200. 

Eu tenho muito apoio da minha família e dos amigos principalmente do meu marido que me ajuda muito e até hoje quando tenho uma crise de hipoglicemia ele acorda de madrugada e me traz algo doce.

Acredito que esta doença é muito mal conduzida pelos médicos e a maior parte da população desconhece o que é de verdade  do que se trata, desde que descobri a doença tem sido muito difícil lidar, mas até agora está tudo bem com o meu filho e eu tenho somente que agradecer a Deus e ter a certeza que cada caso é um caso, cada gestação é de um jeito, não podemos ficar abalados assustados com o fracasso de outras gestantes.

Minha experiência como mãe não poderia ser melhor. Fiz uma cesariana agendada no dia 23/08/2016, o Eduardo nasceu com 38 semanas com 3,765 com 50 centímetros. No último mês de gestação fiz um exame que acompanhava o batimento cardíaco do Eduardo semanalmente, e se houvesse alguma alteração eu teria que tirá-lo no mesmo dia, ficava angustiada a cada exame. Minha cirurgia foi muito tranquila e minha recuperação também, em uma semana eu já estava ótima nem parecia que eu tinha passado por uma cirurgia.



Eduardo nasceu com hipoglicemia, mas nada além disso, nem icterícia que é mais comum, com 03 dias tivemos alta do hospital. Ele é um bebe muito saudável, está sendo amamentado até hoje, o ganho de peso dele é ótimo! 



Meu pós-parto não poderia ter sido mais tranquilo. Emagreci 11 quilos hoje estou pesando 05 quilos a menos que estava antes de ter engravidado. Isso só amamentando porque não estou fazendo nenhuma dieta até hoje. Se dependesse da minha experiência teria outros filhos, pretendo ter outro daqui há alguns anos. 



Depois da gestação eu não controlei minha glicemia, confesso que é difícil conciliar tudo, é necessário bastante comprometimento e assiduidade e na verdade eu tenho somente pensado no meu filho, e esquecido um pouco de mim. Minha glicada subiu para 8,4%. Agora retornando ao trabalho pretendo controlar melhor a minha alimentação e meu controle do diabetes porque afinal preciso cuidar mais de mim. Gostaria que minha experiência servisse de motivação para as mamães ou futuras mamães diabéticas para que se acalmassem um pouco e tivessem esperança e fé que tudo pode dar certo. Bom, realmente espero que o seu blog ajude muitas gestantes ou tentantes Diabéticas tipo I, porque é um sofrimento se sentir sozinha no meio de tanta negatividade.


Atenciosamente,
 
Raiane Regina


Diabetes e Você

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