O que mudou na minha vida entre uma gestação e outra? Descubram aqui!

Sou diabética tipo 1 há 18 anos, hoje, tenho 31. Desde os 12 anos aprendi a conviver com agulhas, glicosímetros, contas de carboidrato e exames de sangue e urina constantes. Passei por várias fases: Lua de Mel – quando ainda estamos no “primeiro amor” com o tratamento; pela revolta; desleixo com o tratamento; o “susto” e a aceitação.  Devido ao mau controle, aos 23 anos, fui acometida com a Retinopatia diabética e com uma nefropatia, também. Após esse susto de quase perder a visão e o mau funcionamento dos rins, passei a me cuidar, tomar as injeções devidamente e a frequentar o médico periodicamente.

 Em 2012, engravidei do Bernardo, foi uma gestação difícil, tive pré-eclâmpsia e mau controle durante toda a gestação: minha glicemia variou de 22 a 400. Hoje, avaliando a primeira gestação, eu vejo que de fato passei a cuidar bem do Diabetes após a maternidade, passei a fazer isso não só por mim, mas por ele. Eu passei a querer ter qualidade de vida a partir do momento que vi aquele rostinho. Ter qualidade de vida para poder viver, e viver com ele!


Passados 4 anos, decidimos, Rodrigo e eu, que teríamos outro filho, eu estava com 29 anos e conversei com o Endócrino, pelos meus exames: glicada em 7,1 e demais complicações do diabetes (Retina e rins) sob controle, ele deu o aval para a gravidez. Em março de 2016, descobri que estava de 4 semanas e passei a fazer o controle do diabetes e o pré-natal no mesmo lugar da gestação anterior: o Centro Obstétrico do HC, no ambulatório da Mãe Diabética.  Aliás, gostaria de deixar meu agradecimento para toda equipe e, em especial, para o Rodrigo Codarin – que entende minhas ironias, hahahaha! A competência desse atendimento é inquestionável e funciona.

Dessa forma, fui para segunda gestação mais segura, mais empoderada e mais feliz. Tive algumas questões com a glicemia – que variou muito, mas o grande problema foram as hipos – não tive qualquer outra complicação, tudo correu como o esperado. Tivemos que optar pela cesárea, pois não entrei em trabalho de parto até a 38ª semana e a glicemia começou a subir muito na última semana de gestação. Foi uma cesárea eletiva, com tudo sob controle.


Durante a gestação, foram consultas semanais para ajuste das insulinas: NPH e lispro, que eu tomava de 3 a 4 vez por dia (cada uma), doses fixas, sem alteração conforme a glicemia, somente a equipe médica podia alterar as doses.  Dextros eram feitos 7 vezes ao dia, no mínimo: antes e depois das refeições e às 3:00 da madrugada. Alimentação mais restrita quanto ao sal, carboidratos simples e gordura. No demais, vida normal, continuei trabalhando até  20 dias antes da nenê nascer e, dez dias antes do parto, eu viajei para apresentar minha pesquisa em um congresso. A segurança no tratamento foi muito importante para que a segunda gestação fosse bem melhor que a primeira. Sentir segurança na equipe médica e na eficiência do tratamento me deixou 200% mais segura! Por fim, o planejamento fez TODA a diferença.


Gostaria de explorar outro lado da segunda gestação: a amamentação. Na primeira gestação, muitos mitos da amamentação (leite fraco por conta da alimentação restrita, exigir demais do corpo, hipoglicemias incontroláveis) me fizeram desistir da amamentação aos 6 meses do Bernardo. Na segunda gravidez, aprendi algumas coisas que me incentivaram amamentar exclusivamente durante 6 meses e continuar enquanto eu puder e a Nina quiser.


O primeiro mito: NÃO EXISTE leite fraco, se você tem restrição alimentar, como eu, você não terá um leite fraco; a mulher mais desnutrida do mundo consegue amamentar seu filho com qualidade! Segundo: amamentar exige do corpo? Sim! Mas a não ser que seus rins estejam parados, seus pulmões em falência, dá para amamentar, sim. Ressalva para pessoas que vivam situações muito específicas de saúde, mas, em geral, para uma diabética minimamente saudável, que controle a glicemia e faça o tratamento, pode amamentar, SIM!!!! Terceiro: dá para controlar e prever as hipoglicemias, se alimente toda vez que o bebê for mamar muito (com o tempo, os bebês vão estabelecendo um ritmo e a gente sabe quando vai ser uma mamada longa e uma mais curtinha); faça testes de glicemias antes das refeições, no entre mamadas longas e de madrugada! Você vai saber mais ou menos quando está com tendência de hipo e poderá se alimentar com carboidratos mais simples, quando necessário.

Por fim, para amamentar, a gente precisa conhecer muito o bem o diabetes e a amamentação! Não existe leite fraco e mãe diabética pode amamentar, sim! Nosso leite é igualzinho de mães não diabéticas; não vai passar nada no leite para seu bebê (a não ser que você tenha alguma doença que impeça amamentar: HIV, Sífilis, hepatite, etc). A minha intenção com esse relato é: incentivar o planejamento da gestação e o conhecimento de amamentação. Amamentar é um vínculo que só quem amamenta sabe, é muito amor e dedicação que faz bem para o bebê e para a mãe. Além do que, evita câncer de mama (sim, mulheres que amamentam têm menos tendência a ter câncer de mama).


Para ter um bebê saudável e feliz, seja saudável e feliz com seu corpo e com sua condição: não se restrinja de ser uma mãe como qualquer outra por conta do Diabetes, cuidando-se, é possível!

Diabetes e Você

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