Quando os filhos nascem…

Davi com 15 dias aí na foto, eu toda inchada, temporariamente hipertensa, colesterol elevado, com a tireóide desregulada, o intestino que não funcionava direito, e o diabetes se ajustando (fora outras coisitas mais)…

Ah! Como eu queria ter saído do hospital com a barriga que comecei a gestar (tudo bem que nunca foi uma barriga negativa, mas não era aquela rs), sem inchaços e com um mega make…E aquele sangue horroroso depois que a gente ganha bebe? Pai do céu!

Lembro no dia desta foto ter agradecido a benção da maternidade, mas senti muito por meu corpo, nada ficava bem em mim, o cabelo tava uma disgrameira (caiu muito e ressecou), pele feia, a pressão uma tristeza, o DM oscilando… Era antagônico aquele sentimento que passava dentro de mim, me senti injusta, eu tinha o filho que pedi a Deus,deveria estar feliz… Mas odiava o meu estado físico, e as vezes a tristeza falava mais alto que a gratidão…

Mas na hora em que ela me abraçou (minha endocrinologista), tudo mudou de figura, tudo pareceu mais fácil e toda a paciência me sobreveio,a ansiedade foi cessando …

Os meses que se seguiram foram tensos, tive muita dificuldade para amamentar, mas não desisti, Davi mamou muitoooo (quase até os 3 anos), na UTI, nem lembrei de leite materno e não fui estimulada pela equipe médica , apenas faltando 3 dias para a saída dele que uma enfermeira passou a me ajudar…

Conclusão: Nada de colostro, muito menos leite, descia muito,muito pouco e meu filho lá, na fórmula enquanto poderia ter tomado meu leite… OK! Sem crises…

O que fazer já em casa!?

Minha obstetra me deu medicamento e o pediatra do Davi foi um anjo, me ajudou muito com dicas e posologia do medicamento… Virei uma “vaca”, vazava leite aqui… Glória a Deus!!!! Mas dei também fórmula,não foi amamentação exclusiva por opção.

Nos primeiros meses tive inúmeras hipos e uma fome horrenda, que me fizeram engordar muito (o que não ganhei na gestação veio depois na amamentação)…

Não me exercitei (deveria ter), contava carboidratos certinho, fazia minhas medições, mas comia muito, por fome, ansiedade e hipo… Imaginem o caos!rs

Davi até os 9 meses foi um bebê muito chorão… Pai do Céu! Era difícil ser uma mãe politicamente correta, dona de casa, profissional e diabética assídua com o mundo desabando na sua cabeça, era DM para medir, insulina para tomar, papelada de medicamentos para correr atrás, médicos,exames,remedios, medico de filho (que nasceu com algumas intercorrências e necessitava de acompanhamento), pegar ônibus (pois não tenho carro – tinham dias que era o maior vuco- vuco) era visitas aparecendo, o banheiro para lavar, o relatório do serviço para fazer, hora de fazer comida, de comer, de medir, de tomar medicamento, e medicar a criança, de acordar zilhões de vezes de madrugada com um bebê histérico, hora de corrigir hipo, hiper,contar carboidratos, de atender a chefe no telefone, de ir a uma reunião no serviço, de lavar, passar e cozinhar, sem auxílio de mãe, avó, sogra, empregada doméstica…Apenas meu marido que se mostrou um ótimo companheiro,
Chorei muito, muito mesmo, por medo, por ansiedade, por raiva, por me sentir incompetente e por inúmeros outros motivos…

Chorei no chuveiro, abraçando o travesseiro e chorei por querer chorar sozinha e não conseguir rs
Enfim, este texto é para lhes dizer:

” Tudo passa, nada é para sempre…
Dias tensos, complicados e ruins, todos nós temos, independente de qualquer coisa, mas aprendi que mesmo nos dias de loucura preciso cuidar do diabetes, preciso estar bem para dar conta das coisas que vão acontecendo, o tempo não para, cada dia de DM mau cuidado significa muito para mim lá na frente, ser mãe foi uma opção, eu sabia ou pelo menos tinha ideia de como seria…
Acho que o maior cuidado na maternidade diabética não é o antes e o durante a gestação, pois eles são tensos,mas passam…É depois, aqui, agora, qdo eles nascem e precisam tanto de nós com saude e aptas a curti-los, que a porca torce o rabo, que começa aser de fato dificil.
O antes e o durante é por um período curto (mesmo que pareça uma eternidade), mas o depois, o depois, não tem data de acabar, só de começar, e os filhos precisarão por muito tempo de nós mães… Cuidar de si, é tb cuidar deles e demonstrar tamanho amor e carinho por quem te fez e te faz tão feliz. Não abandone o tratamento, não se sabote, pq a unica pessoa quem tem a perder com isso é você”

Diabetes e Você

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *